O conceito de cidadania segundo Gramsci, vem sendo utilizado nas políticas educacionais, sem haver uma explicação de seu entendimento, generalizando uma grande divergência nos significados, podendo gerar confusões e contradições.
Para entendermos o significado de cidadania é necessário antes de tudo nos apropriarmos de como Antônio Gramsci pensava, isto é, qual era sua concepção com relação ao trabalho, as classes sociais, as formas de dominação e do sistema capitalista.
Sabemos que ele defendia que os oprimidos precisam tomar consciência e em seguida libertarem-se das forças que os oprimem, logo a definição mais próxima do entendimento de cidadania, baseia-se no conceito de hegemonia de Gramsci.
Gramsci seguiu as ideias de Marx e Engels, com respeito a hegemonia na sociedade civil e transformou no tema central de sua explicação sobre o funcionamento do sistema capitalista.
Sendo assim, hegemonia para Gramsci, significa a predominância ideológica de valores, normas de condução da vida político-cultural de uma classe dominante, a burguesia, sobre outra subordinada, os trabalhadores. Para Gramsci a sociedade civil é também importante no processo de superestrutura, sendo atores ativos e positivos no desenvolvimento histórico ou no conjunto das relações culturais e ideológicas, da vida intelectual, espiritual e a expressão política. Portanto, o cidadão não pode ser aquele que simplesmente conhece seus direitos e deveres e vê-los de forma passiva sem participar como sujeitos, na elaboração dos mesmos.
Nesse sentido, a educação tem que contribuir de forma eficaz, formando sujeitos com capacidade de atuar criticamente na sociedade e nos grupos sociais, pois segundo Gramsci, cada grupo possui seu ”intelectual orgânico”, que nada mais é do que aquele cidadão que promove uma tomada de consciência coletiva e que segundo ele, a classe operária é que deveria comandar a mudança social, tendo seus próprios intelectuais. Para ele, é necessário que o intelectual e a escola, possam desenvolver uma consciência crítica em seus alunos, para que todos se conheçam e reconheçam seu valor histórico, como indivíduos na sociedade.
Sendo essa escola responsável por formar cidadãos críticos, logo a maior parte da sociedade sairia do senso comum, pois a crítica nos possibilita emitir opinião e apresentar o fundamento e o senso comum é tão somente a repetição do que está posto sem criticidade. Então, quando Gramsci diz que a tendência democrática da escola não pode consistir apenas em que um operário manual se torne qualificado, mas em que cada cidadão possa se tornar governante é que não podemos aceitar uma educação mecanicista, todos temos condições de desenvolver o intelecto e sermos formadores de opinião e ativos participantes da democracia com consciência.
Por: Vanda, Carlos e M.Cleonice
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