EDITORIAL

Bem-Vindos!

Agradecemos a visita ao nosso blog e em latim Nunc Eros significa Educação Agora. Precisamos de mudanças nesta área, vamos pensar juntos e tentar modificar um pouquinho que seja, conscientizando, trocando ideias, se ajudando, criticando, vislumbrando um horizonte de possibilidades na construção e reestruturação do que está posto na sociedade brasileira. Nosso blog tem a intenção de refletir e compartilhar ideias sobre temas importantes relacionados à Pedagogia, analisando de modo a contribuir para uma sociedade mais justa e igualitária. Abordamos questões como, cidadania, inclusão e exclusão, temas transversais e outros. O que poderíamos fazer e como melhorar a prática dos educadores para obtenção de resultados significativos com seus alunos de um modo geral? Esperamos que gostem e aproveitem a viagem ao blog da reflexão e da consciência. Alunos do 4º sem. Pedagogia-UMESP: Carla, Carlos, Dulcineia, Erci, Cleonice, Rosecléia e Vanda.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

O preconceito nosso de cada dia

Segundo o dicionário: preconceito é a idéia preconcebida, em geral sem fundamento ou intolerância a outras raças, religiões, línguas etc.
Então seria não ter uma opinião formada sobre determinado assunto, mesmo assim ao invés de procurar se informar sobre ele prefere ignorá-lo, ou seja, para nossa sociedade existem vários tipos de preconceitos, em especial o preconceito lingüístico que se baseia na crença de que só existe uma única, a língua portuguesa digna deste nome e que seria a única ensinada nas escolas, explicada nas gramáticas e catalogadas nos dicionários.
No Brasil, por exemplo, a língua portuguesa é bastante diversificada, mesmo as escolas impondo a norma culta, vários brasileiros nem tem acesso a esse tipo de linguagem e um dos motivos seria as diferentes classes sociais que geram um abismo entre esses dois mundos.
Um grande exemplo dessa diferença entre esses dois mundos é que muitas vezes a imprensa usa os meios de comunicação para menosprezar, por exemplo, os nordestinos que em suas novelas são tratados como matutos, pobres e ignorantes e que sua forma de falar está errada, ou seja, fora dos padrões.
O caipira, jeca-tatu, capial, matuto, ”sem nenhum compromisso com a gramática portuguesa, não faz concordância em frases de acordo com estudos realizados. Há algum tempo foi criado um tipo de manual para ajudar neste quesito.
1° Conscientizar-se de que todo falante nativo de uma língua é um usuário competente dessa língua, por isso ele SABE essa língua.com mais ou menos quatro anos de idade, uma criança já domina integralmente a gramática de sua língua. Sendo assim,
2° Não existe erro de português. Existem diferentes gramáticas para as diferentes variedades de português, gramáticas que dão conta dos usos que diferem da alternativa única proposta pela gramática normativa.
3° Não confundir erro de português (que afinal, não existe) com simples erro de ortografia. Autografia é artificial, ao contrário da língua, que pé natural. A ortografia é uma decisão política,por isso ela pode mudar de uma época para outra.Linguas que não tem sistema escrito nem por isso deixam de ter sua gramática.
4° Tudo o que os gramáticos conservadores chamam de erro é na verdade um fenômeno que tem uma explicação cientifica perfeitamente demonstrável. Nada é por acaso.
5° Toda língua muda e varia. O que hoje é visto como certo já foi erro no passado. O que hoje é visto como erro pode vir a ser perfeitamente certo no futuro da língua.
6° A língua portuguesa não vai nem bem, nem mal. Ela simplesmente VAI, isto é, segue seu caminho, transformando-se segundo suas próprias tendências internas.
7º Respeitar a variedade lingüística é respeitar a integridade física e espiritual dessa pessoa como ser humano digno de todo respeito.
8º A língua permeia tudo, ela nos constrói enquanto seres humanos. Nós somos a língua que falamos. Enxergamos o mundo através da língua.
9º O professor de português é professor de tudo. Por isso talvez devesse ter um salário igual á soma dos salários de todos os demais professores.
10° Ensinar bem é ensinar para o bem. È valorizar o saber intuitivo do aluno e não querer suprimir automaticamente sua língua materna, acusando-a de ser ¨feia¨ e ¨corrompida¨. O ensino da norma culta tem de ser feito como um acréscimo à bagagem lingüística da pessoa e não como uma substituição de uma língua.
Não podemos deixar de reconhecer a existência de uma crise no sentido da língua portuguesa, nascida na recusa dos defensores da gramática tradicional em acompanhar os avanços da ciência da linguagem. Para se mudar esse quadro é necessário uma mudança de atitude, perder essa idéia de ¨certo¨ e ¨errado¨ e refletir a respeito para um ensino mais consciente e menos preconceito.

Livro preconceito lingüístico de Marcos Bagno, editora Loyola Edição 51 ano 2009.

Por: Rosecléia S. Oliveira




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