Nos últimos tempos, ouvimos falar em muitos problemas que permeiam o ambiente escolar, por várias questões. Há professores despreparados, que não conseguem dar continuidade às pesquisas aprimorando o conhecimento; estão desmotivados pela falta de reconhecimento do seu trabalho; não conseguem dar conta da demanda que foi atribuída ao seu desempenho como profissional da educação.
Temos a questão da inclusão, a qual, o governo simplesmente elaborou as leis, incluiu as crianças com várias especificidades na sala de aula e não preparou o professor para lidar com mais essa tarefa, fazendo o educando que tem algum grau de deficiência, motora, visual, auditiva e mental, avançar em seu desenvolvimento, físico, psicológico, cognitivo e social. As políticas públicas estão longe de atender as expectativas das crianças, dos pais, dos professores e também da sociedade em geral.
Partindo do pressuposto de que a escola precisa de bons professores e não de médicos e psicólogos, como o professor faz para dar conta de tantos desafios atribuídos a eles, pois vivemos momentos de desenvolvimento tecnológico constante e temos que pensar na inclusão de todos de um modo geral, tendo como objetivo construir o aprendizado dessas crianças, do contrário não estaremos promovendo a inclusão e sim a exclusão. Se os professores não conseguirem atender a todos, poderão estar contribuindo para a evasão escolar, daqueles que simplesmente tem alguma dificuldade de aprendizado, de ordem social, como famílias que por problemas estruturais, não conseguem manter o educando na escola.
Do lado oposto, pessoas de classes mais abastadas, com todos os recursos necessários para uma boa estrutura familiar, também não conseguem dar conta dos filhos, delegando às escolas públicas e particulares a educação dos mesmos. Algumas escolas particulares arcam com a educação dos filhos dessas famílias em tempo integral. A criança por vezes tem pouco contato físico e afetivo com seus pais, muito importante ao seu desenvolvimento, pois já chegam em casa tarde, muitos já voltam alimentados e com banho tomado. Isso é preocupante, pois a família é a base de uma boa formação, a raiz onde recebemos uma carga afetiva, histórica e cultural. Ficamos imaginando o quanto essa criança tem de carência pela falta desse convívio familiar, se passa a maior parte do tempo longe dela. É claro, que isso não se atribui a todas as famílias, muitas conseguem dar conta de fazer com o que o filho se sinta amado tendo um tempo de qualidade com os pequenos, mas infelizmente isso não se aplica à maioria dos casos.
Podemos atribuir esta questão, ao fato de tantos jovens adolescentes, estarem transgredindo, mas de uma forma não saudável, pois querem chamar a atenção de alguma forma, causando problemas de ordem social, onde eles próprios são os agredidos, a impressão que fica, é que eles não se importam com suas vidas, com suas famílias e com mundo a sua volta.
Sabemos que faz parte da natureza juvenil, a ousadia e a rebeldia, necessárias às mudanças e as transformações do mundo, mas no caso desses adolescentes que ficam em baladas e em outros locais, no meio das ruas, bebendo, usando drogas e se expondo das mais diversas formas, eles estão protestando o quê? Só se for para punir a própria vida e a de seus pais dizendo: - Estamos aqui, nós existimos! As crianças precisam de regras, direção, orientação e se a família não impõe os limites necessários, ou seja, dizer não a um filho é muito importante, mostra que você se importa, se preocupa com ele e que o ama, do contrário eles se perdem, às vezes eles estão transgredindo para chamar a atenção, pedindo limites que os pais não têm tempo de dar. Estão preocupados em dar o celular novo, o carro novo, as compras no Shopping, é como se dessem presentes para compensar a falta de presença. É a coisificação do ser em detrimento do ter coisas, posturas equivocadas que cegam e desumanizam a sociedade atual. A inversão de valores se instala, muitos se perdem e fica difícil mudar a realidade.
Presença, paciência, resgate da espiritualidade, desenvolvimento da consciência ecológica e planetária são valores imprescindíveis à ação educativa; por isso “como educadores, precisamos mergulhar nos vários aspectos da existência humana, que também nos escapam à lógica e à racionalidade.(Santos Neto, 2002, p. 41).”
Precisamos espalhar uma corrente de esperança para que mudanças possam surgir em todas as áreas, pois estes aspectos vão influenciar diretamente na complexidade da educação. Não há receitas milagrosas, mas se cada um fizer com amor a sua parte, podemos resgatar o ser humano da imersão no caos que estamos caminhando.
Por: Vanda Zanetti
Referência: SANTOS NETO, Elydio dos. Educação e complexidade: pensando com Dom Bosco e Edgar Amorim. São Paulo: Salesiana, 2002.