EDITORIAL

Bem-Vindos!

Agradecemos a visita ao nosso blog e em latim Nunc Eros significa Educação Agora. Precisamos de mudanças nesta área, vamos pensar juntos e tentar modificar um pouquinho que seja, conscientizando, trocando ideias, se ajudando, criticando, vislumbrando um horizonte de possibilidades na construção e reestruturação do que está posto na sociedade brasileira. Nosso blog tem a intenção de refletir e compartilhar ideias sobre temas importantes relacionados à Pedagogia, analisando de modo a contribuir para uma sociedade mais justa e igualitária. Abordamos questões como, cidadania, inclusão e exclusão, temas transversais e outros. O que poderíamos fazer e como melhorar a prática dos educadores para obtenção de resultados significativos com seus alunos de um modo geral? Esperamos que gostem e aproveitem a viagem ao blog da reflexão e da consciência. Alunos do 4º sem. Pedagogia-UMESP: Carla, Carlos, Dulcineia, Erci, Cleonice, Rosecléia e Vanda.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

História de Vida: A importância da EJA na vida dos sujeitos que buscam superação

                                                                                          Apresentamos a história de Maria Cleonice Piovezzani, nossa colega de turma, que dentre tantas pessoas, está  tendo uma experiência de sucesso em sua vida graças a EJA (Educação de Jovens e Adultos).

Quando Cleonice tinha 17 anos conheceu Elizeu, logo se apaixonaram e resolveram se casar. Eram muito jovens, mas em seguida decidiram assumir os papeis de pai e mãe. Os pais de Elizeu ajudaram a montar a casa, pois a vida não estava fácil, ele trabalhava e ela cuidava da filha Juliana, pois na região onde moravam não havia creche à disposição das famílias,  assim foram vivendo com uma pequena renda e muitas dificuldades.
Frequentemente participava das reuniões que eram realizadas pela sede da comunidade onde vivia. Sempre se interessou e pensava nos temas que eram discutidos nas reuniões.  Ficava questionando-se e um grande desejo de crescer surgiu em seu coração, porém sabia que só o estudo poderia alimentar e concretizar os seus sonhos.
Elizeu apoiou a ideia e passou a cuidar de sua filha à noite, enquanto ela ia estudar. Para Elizeu, a EJA (Educação de Jovens e Adultos) mudou a vida dela, pois começou a perceber toda a beleza que existe no aprender. Passou a relacionar-se com outras pessoas, a trocar ideias, a compreender a temida matemática, que não era tão feia e difícil assim. O estudo trouxe a esperança de uma vida melhor e isso fez com que percebesse que nas situações de aprendizado e nas trocas estabelecidas, construía conhecimentos da vida para a vida. Aprender foi muito bom, porque lhe possibilitou ver as coisas com outro olhar e passar a criticar outras tantas.
O momento mais especial foi sua formatura, quando provou para seu pai e para ela mesma, que era capaz de aprender e superar certos preconceitos que a cercavam como: “mulher casada não precisa mais ir à aula, vai fazer o que lá?”, ou então “aquela moreninha acha que pode estudar, por que não vai trabalhar de faxineira?” entre tantas outras falas desencorajadoras que ouvia com frequência.
Freire (1987) em sua obra Pedagogia do Oprimido, afirma que a libertação através da educação só é válida se for um esforço coletivo: “Ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho: os homens se libertam em comunhão”.
As mediações estabelecidas entre professor (a) e alunos (as) lhe garantirão a condição de ser sujeito, de refletir sobre sua condição de ser e estar no mundo num processo de troca, crescimento e conhecimento. E assim, o referido autor complementa que: “Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo”. (1981, p. 79).
Cléo, como os amigos a chamam, foi muito dedicada, ficava aos sábados das oito da manhã até às cinco da tarde estudando e no concurso que prestou na Universidade Metodista, através da Educafro (Educação para Afrodescendentes e carentes) conseguiu ser aprovada no vestibular.
Hoje cursa a faculdade de Pedagogia, sempre alegre, é exemplo para sua filha de doze anos, motivando-a a estudar e nunca desistir dos sonhos que possui. Sua vida é modesta, mas bem melhor que antes, é digna, pois quando acreditou em si, buscou algo melhor, não só para ela, mas para os outros também. Sua filha cresce cercada de referências que lhe permitirão fazer escolhas ao longo de seu crescimento e desenvolvimento.
No caso da Cléo podemos afirmar que a EJA foi muito importante e ela pôde seguir em frente com seus estudos, porém nem sempre é o que acontece. Existem muitas dificuldades e preconceitos nesse contexto escolar, como educadores (as) despreparados para lidar com o mundo adulto, que precisa sim, iniciar seus estudos alfabetizando-se, mas que já possuem uma bagagem de vida e experiências que não podem ser desconsideradas. Não podemos alfabetizá-los com conteúdos que não tenham um significado prático em suas vidas. Temos que buscar situações de aprendizagem concretas a partir do contexto de vida dessas pessoas, para que tenha um significado importante de mudanças já nos primeiros momentos da aprendizagem, pois eles (as) também têm uma expectativa grande para o momento de libertação, que é a alfabetização e o conhecimento.
Por outro lado, os (as) professores (as) são mal remunerados, com péssimas condições de trabalho, muitos são desmotivados e despreparados e não escolheram trabalhar com esses adultos, simplesmente foram direcionados para a EJA e ponto. 
Um bom preparo, conversas e esclarecimentos podem fazer com que esses (as) professores (as) desejem trabalhar na EJA, pois são fundamentais para um bom desempenho e resultados, somente tratando seus alunos (as) com respeito é que farão com que tenham sua autoestima elevada, facilitando as relações na sala de aula, diminuindo a evasão e os conflito.                                                                                                                
Referência: FREIRE, Paulo, Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1981.
Por Maria C. Piovezzani

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